*
PRECONCEITO FATAL
DISCRIMINAÇÃO LEVA JOVENS HOMOSSEXUAIS AO SUICÍDIO
Eduardo Knapp/ Folhapress
"Eu sempre fui o melhor em tudo", diz Geraldo*, 19. Aluno dedicado e filho comportado, o garoto entrou em crise quando descobriu que é gay. "Vi que não seria o melhor em alguma coisa", diz.
De tanto ouvir que sua vida estava errada, ele acreditou. Há um ano, injetou ar no braço, à espera da morte. Foi socorrido no hospital.
A história de Geraldo é semelhante à de quatro adolescentes norte-americanos que se mataram em setembro passado, alertando o país inteiro para um tipo de preconceito que pode ser fatal.
As mortes levaram o presidente Barack Obama a gravar um vídeo para o site It Gets Better (isso melhora, em português). A campanha (bit.ly/itgets) reúne depoimentos cuja mensagem é simples: ser gay não é errado.
Ainda assim, os homossexuais são uma minoria que sofre discriminação. Às vezes, a níveis insuportáveis.
Foi assim com o estudante de biologia Henrique Andrade, 21, que no dia 22 foi chamado de "bicha" durante uma comemoração de alunos da USP. "Falaram que eu estava manchando a festa." Ele levou chutes e socos.
"A homofobia está na sociedade e faz com que o gay ache que ele vale menos do que os outros", explica Lula Ramires, coordenador do Grupo Corsa (corsa.wikidot.com), que defende a diversidade sexual. A discriminação surge como ingrediente-chave nas pesquisas que apontam para a relação entre homossexualidade, juventude e suicídio.
O bullying pode causar o que os psicólogos chamam de "egodistonia" -alguém não gostar de como é.
"É um sofrimento muito grande se sentir fora da norma", diz Alexandre Saadeh, psiquiatra do Hospital das Clínicas. "A discriminação, para alguém que é humilhado em casa, por exemplo, pode se tornar insuportável."
PAIS & AMIGOS
A aceitação ou não dos pais é um fator de peso, segundo Miguel Perosa, professor de psicologia da PUC-SP.
"O jovem pode sentir que não pertence a esse mundo que o discrimina", afirma.
"Suicídio passa pela minha cabeça todos os dias, está cada vez mais difícil", desabafa o técnico em farmácia Caio*, 22. Demitido na semana passada, ele diz que foi dispensado porque é gay. Nos corredores, ouvia colegas o chamarem de "veado".
"Me faz querer dar um fim a isso", diz. "Eu respiro fundo, mas o pensamento é forte." Há três anos, ele tomou veneno. Mas sobreviveu.
Psicólogos recomendam que jovens com ideias suicidas busquem ajuda profissional imediatamente. Amigos devem ficar por perto.
Outra sugestão é procurar entidades como o GPH (Grupo de Pais de Homossexuais, www.gph.org.br), que faz reuniões quinzenais para ouvir jovens gays.
Apesar de nunca ter tentado se matar, Paulo Souza, 20, participou desses encontros.
Há quatro anos, ele perdeu o namorado e amigo de infância que, aos 19 anos, pulou do sétimo andar.
"Ele achava que não tinha futuro sendo gay", conta.
Sucesso e felicidade, no entanto, independem de orientação sexual.
Entre gays assumidos estão Ian McKellen, um dos mais premiados atores britânicos (o Gandalf de "O Senhor dos Anéis") e Klaus Wowereit, prefeito de Berlim.
O ator brasileiro e gay assumido Evandro Santo, 35, diz que nunca pensou em suicídio. Famoso pelo papel de Christian Pior no "Pânico na TV", ele foi expulso de casa quando era adolescente.
"Sobrevivi por um sentimento de vingança. Queria ficar vivo para as pessoas verem que eu seria famoso."
VAI MELHORAR
A organização do It Gets Better calcula que os vídeos da campanha já tenham sido vistos 15 milhões de vezes.
"Estamos decolando!", comemora o coordenador Scott Zumwalt, que trabalhou na campanha de Obama -e conseguiu a assinatura da republicana Laura Bush para a petição contra o bullying.
Segundo o Folhateen apurou, está sendo negociado um domínio brasileiro na internet para uma possível versão em português do site.
*Nome fictício
EQUAÇÃO DA MORTE
Em 2008, 711 brasileiros entre dez e 19 anos se suicidaram; não há números específicos sobre gays
Suicídio é a quarta maior causa externa de morte de jovens entre 15 e 19 anos (a primeira é homicídio)
Estima-se que o número de tentativas de suicídio supere o número de suicídios em pelo menos dez vezes
FATORES INTERLIGADOS
Pesquisas americanas mostram uma relação entre adolescência, homossexualidade e suicídio
Jovens gays são de duas a três vezes mais propensos a tentar o suicídio quando comparados a jovens heterossexuais
*
Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/folhatee/fm0111201011.htm
*
Veja links adicionais:
Link1: http://migre.me/1Va22
Link2: http://migre.me/1V9Xc
*
Publicado em: SinapsesLinks
http://sinapseslinks.blogspot.com/
*
Mostrando postagens com marcador suicídio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador suicídio. Mostrar todas as postagens
2 de nov. de 2010
16 de mar. de 2010
Suicídio e Eutanásia
*
Click sobre a imagem para ampliá-la.
*

À espera de um milagre
Eutanásia e suicídio assistido refletem "niilismo insalubre", diz especialista em bioética
EUCLIDES SANTOS MENDES
DA REDAÇÃO (Folha de SP)
Caderno Mais! Pag.6 - 14mar2010
Crítico feroz da eutanásia e do suicídio assistido, Wesley J. Smith, especialista em bioética do instituto de pesquisa norte-americano Discovery, avalia que a regulamentação legal dessas práticas em Estados norte-americanos (Oregon e Washington) e em países europeus (Suíça, Holanda, Bélgica e Luxemburgo) compromete a oferta de serviços de assistência médica a doentes terminais.
"A legalização traz à tona o mais considerável risco de coerção e abandono", alerta. Para ele, a regulamentação não apenas interfere na qualidade dos tratamentos paliativos como pode levar os pacientes à depressão e ao medo. "Estou convencido de que a legalização do suicídio assistido transforma a cultura e a maneira como nós percebemos o valor do enfermo, do deficiente e do idoso."
"Ele também questiona a igualdade humana, porque cria a casta das pessoas consideradas descartáveis", conclui.
Autor de "Forced Exit - Euthanasia, Assisted Suicide and the New Duty to Die" (Saída Forçada - Eutanásia, Suicídio Assistido e a Nova Responsabilidade para Morrer, Encounter Books, 350 págs., U$ 12,82, R$ 23), Smith critica, em entrevista à Folha, associações como a Dignitas e o que chama de "indústria do turismo suicida".
FOLHA - O sr. conhece a Dignitas? O que pensa a respeito do suicídio assistido e da eutanásia?
WESLEY J. SMITH - Dignitas é uma entidade que ajuda suicidas por um preço. A indústria do "turismo suicida", da qual faz parte, é ligada a Jack Kevorkian [médico americano conhecido como "Dr. Morte", por ter declarado que ajudou 130 pessoas a se suicidarem, entre 1990 e 1998, praticando a eutanásia]. A Dignitas não existe para ajudar outras pessoas, tratá-las sob o ponto de vista médico ou encontrar maneiras de aliviar suas dores. Existe para ajudá-las a morrer. É a pior forma de abandono.
FOLHA - O que o sr. pensa sobre a legalização da eutanásia e do suicídio assistido nos EUA e na Europa?
SMITH - Eu me oponho à legalização em todos em casos. Acho que a situação é ainda pior na Holanda, onde a eutanásia ativa é permitida. De fato, lá existem médicos que praticam eutanásia em bebês que nascem com deficiências sérias. Uma vez que a porta está aberta, torna-se muito difícil controlar. Considere também o potencial para utilizar a eutanásia como uma maneira de economizar dinheiro na medicina. A legalização traz à tona o mais considerável risco de coerção e abandono.
FOLHA - Como tal risco advém?
SMITH - Basta olhar o caso dos cuidados paliativos. Advogados dizem que são melhorados -apontando para o bom histórico em Oregon. Quando [o Estado norte-americano de] Rhode Island determinou a ilegalidade do suicídio assistido, mas esclareceu que o controle de uma dor agressiva era legal, a qualidade dos cuidados paliativos subiu dramaticamente.
Na Holanda, vários estudos mostram que a qualidade dos tratamentos paliativos é pior do que em outros países equivalentes. Ativistas de direitos de portadores de deficiências são quase unânimes em se opor ao suicídio assistido porque coloca esses pacientes em considerável risco.
A ideia [do suicídio] lhes sugere que suas vidas são menos dignas de existirem, conduzindo-os à depressão e ao medo. Isso leva a sociedade a olhar de cima o doente e o portador de deficiência, a percebê-los como "cargas" ou pessoas que não beneficiam a sociedade. Isso pode provocar naquele que sente dor ou está muito doente uma pressão para "escolher" o suicídio assistido.
Contudo, estudos mostram que, quando a prevenção adequada é oferecida, mesmo os mais doentes ou deficientes com propensão ao suicídio mudam frequentemente de ideia.
FOLHA - Como é a burocracia da morte por eutanásia ou suicídio assistido nos Estados norte-americanos onde é permitida?
SMITH - O passo a passo burocrático é para criar alguma forma de controle. Mas não há um controle real. Em Oregon, por exemplo, se um médico diz não, o paciente pode procurar outro. Quase todos os casos de suicídio assistido lá são facilitados pela Compassion and Choices [Compaixão e Escolhas], um grupo de defesa do suicídio assistido. Frequentemente, os médicos não conhecem os pacientes antes da consulta para uma prescrição letal. Além disso, o Estado não inspeciona tudo. Apenas recebe os documentos emitidos pelo médico depois do fato.
FOLHA - Cada ser humano deve ter o direito de morrer?
SMITH - Não acredito que haja o "direito de morrer". Temos, penso, o direito de recusar um tratamento médico não desejado, porque forçá-lo seria uma agressão. Mas isso não significa direito de morrer. Também não temos o direito de ter uma outra pessoa para facilitar nosso suicídio ou nos matar porque queremos morrer. A questão então se torna: qual é a reação apropriada para uma comunidade quando um dos seus membros está tão desesperado a ponto de querer morrer?
FOLHA - Quais são as alternativas?
SMITH - As alternativas são cuidados melhores, mais inclusão, prevenção do suicídio e amor do paciente pela família, pelos amigos e pela sociedade.
De fato, acho estranho que justo quando realmente podemos impedir pessoas de morrer em agonia, a eutanásia se torne mais popular.
Isso é estranho. Acho que há águas culturais profundas aqui que podem refletir um niilismo insalubre.
*
Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs1403201009.htm
*
Publicado em: SinapsesLinks
http://sinapseslinks.blogspot.com/
*
Click sobre a imagem para ampliá-la.
*

À espera de um milagre
Eutanásia e suicídio assistido refletem "niilismo insalubre", diz especialista em bioética
EUCLIDES SANTOS MENDES
DA REDAÇÃO (Folha de SP)
Caderno Mais! Pag.6 - 14mar2010
Crítico feroz da eutanásia e do suicídio assistido, Wesley J. Smith, especialista em bioética do instituto de pesquisa norte-americano Discovery, avalia que a regulamentação legal dessas práticas em Estados norte-americanos (Oregon e Washington) e em países europeus (Suíça, Holanda, Bélgica e Luxemburgo) compromete a oferta de serviços de assistência médica a doentes terminais.
"A legalização traz à tona o mais considerável risco de coerção e abandono", alerta. Para ele, a regulamentação não apenas interfere na qualidade dos tratamentos paliativos como pode levar os pacientes à depressão e ao medo. "Estou convencido de que a legalização do suicídio assistido transforma a cultura e a maneira como nós percebemos o valor do enfermo, do deficiente e do idoso."
"Ele também questiona a igualdade humana, porque cria a casta das pessoas consideradas descartáveis", conclui.
Autor de "Forced Exit - Euthanasia, Assisted Suicide and the New Duty to Die" (Saída Forçada - Eutanásia, Suicídio Assistido e a Nova Responsabilidade para Morrer, Encounter Books, 350 págs., U$ 12,82, R$ 23), Smith critica, em entrevista à Folha, associações como a Dignitas e o que chama de "indústria do turismo suicida".
FOLHA - O sr. conhece a Dignitas? O que pensa a respeito do suicídio assistido e da eutanásia?
WESLEY J. SMITH - Dignitas é uma entidade que ajuda suicidas por um preço. A indústria do "turismo suicida", da qual faz parte, é ligada a Jack Kevorkian [médico americano conhecido como "Dr. Morte", por ter declarado que ajudou 130 pessoas a se suicidarem, entre 1990 e 1998, praticando a eutanásia]. A Dignitas não existe para ajudar outras pessoas, tratá-las sob o ponto de vista médico ou encontrar maneiras de aliviar suas dores. Existe para ajudá-las a morrer. É a pior forma de abandono.
FOLHA - O que o sr. pensa sobre a legalização da eutanásia e do suicídio assistido nos EUA e na Europa?
SMITH - Eu me oponho à legalização em todos em casos. Acho que a situação é ainda pior na Holanda, onde a eutanásia ativa é permitida. De fato, lá existem médicos que praticam eutanásia em bebês que nascem com deficiências sérias. Uma vez que a porta está aberta, torna-se muito difícil controlar. Considere também o potencial para utilizar a eutanásia como uma maneira de economizar dinheiro na medicina. A legalização traz à tona o mais considerável risco de coerção e abandono.
FOLHA - Como tal risco advém?
SMITH - Basta olhar o caso dos cuidados paliativos. Advogados dizem que são melhorados -apontando para o bom histórico em Oregon. Quando [o Estado norte-americano de] Rhode Island determinou a ilegalidade do suicídio assistido, mas esclareceu que o controle de uma dor agressiva era legal, a qualidade dos cuidados paliativos subiu dramaticamente.
Na Holanda, vários estudos mostram que a qualidade dos tratamentos paliativos é pior do que em outros países equivalentes. Ativistas de direitos de portadores de deficiências são quase unânimes em se opor ao suicídio assistido porque coloca esses pacientes em considerável risco.
A ideia [do suicídio] lhes sugere que suas vidas são menos dignas de existirem, conduzindo-os à depressão e ao medo. Isso leva a sociedade a olhar de cima o doente e o portador de deficiência, a percebê-los como "cargas" ou pessoas que não beneficiam a sociedade. Isso pode provocar naquele que sente dor ou está muito doente uma pressão para "escolher" o suicídio assistido.
Contudo, estudos mostram que, quando a prevenção adequada é oferecida, mesmo os mais doentes ou deficientes com propensão ao suicídio mudam frequentemente de ideia.
FOLHA - Como é a burocracia da morte por eutanásia ou suicídio assistido nos Estados norte-americanos onde é permitida?
SMITH - O passo a passo burocrático é para criar alguma forma de controle. Mas não há um controle real. Em Oregon, por exemplo, se um médico diz não, o paciente pode procurar outro. Quase todos os casos de suicídio assistido lá são facilitados pela Compassion and Choices [Compaixão e Escolhas], um grupo de defesa do suicídio assistido. Frequentemente, os médicos não conhecem os pacientes antes da consulta para uma prescrição letal. Além disso, o Estado não inspeciona tudo. Apenas recebe os documentos emitidos pelo médico depois do fato.
FOLHA - Cada ser humano deve ter o direito de morrer?
SMITH - Não acredito que haja o "direito de morrer". Temos, penso, o direito de recusar um tratamento médico não desejado, porque forçá-lo seria uma agressão. Mas isso não significa direito de morrer. Também não temos o direito de ter uma outra pessoa para facilitar nosso suicídio ou nos matar porque queremos morrer. A questão então se torna: qual é a reação apropriada para uma comunidade quando um dos seus membros está tão desesperado a ponto de querer morrer?
FOLHA - Quais são as alternativas?
SMITH - As alternativas são cuidados melhores, mais inclusão, prevenção do suicídio e amor do paciente pela família, pelos amigos e pela sociedade.
De fato, acho estranho que justo quando realmente podemos impedir pessoas de morrer em agonia, a eutanásia se torne mais popular.
Isso é estranho. Acho que há águas culturais profundas aqui que podem refletir um niilismo insalubre.
*
Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs1403201009.htm
*
Publicado em: SinapsesLinks
http://sinapseslinks.blogspot.com/
*
Assinar:
Postagens (Atom)
Jesus
Dia das Mães 10maio2026
♦♦ Dia das Mães ♦ ♦ ❖ Leal❖ 10mai2026 Domingo ❖ Encarnado há 31.339 dias. ❖ Encarnado Aprendiz ♦ Gratidão Deus Pai! ♦ Gratidão Amado Jes...
-
♦ ❖ ❖ Leal ❖ ❖ ❖ Encarnado há 31.110 dias. ❖ Aprendiz em todas as instâncias da Vida ❖ Lifelong learner @ apprendice ❖ Obrigado Deus...
-
♦ ❖ ❖ Leal ❖ ❖ ❖ Encarnado há 31.128 dias. ❖ Aprendiz em todas as instâncias da Vida ❖ Lifelong learner @ apprendice ❖ Obrigado Deus...
